Michael Jackson Não Morreu

O rei do pop foi juntar-se a Elvis, Lenon, Hendrix e Joplin

Nova York está de luto. Porém, Michael Jackson não morreu. Elvis também não. Pelé é eterno, e o nome do Rei do Baião arde flamejante nas labaredas incandescente em homenagem a São João. Um ídolo não morre, eterniza-se na memória dos povos. O Rei do Pop moderno, aos 50 anos de idade, teve parada cardíaca, e isso lhe ceifou a vida biológica, mas não a vida mitológica. Mito que é mito não morre. A morte insinua ser apenas numa tentativa de desconstituição do ícone cultural. Porém vã. O ex-integrante do Jackson Five, com a ajuda de uma máquina publicitária capaz de transformar pau em pedra, pertence hoje à galeria dos ídolos pop imortalizados desde o século 20, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Marley e Elvis Presley. Todos são figuras emblemáticas da moderna sociedade de consumo. Literalmente falando, nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Mais que a morte do homem, o mundo lamenta mesmo é sua orfandade mitológica. A coisificação engendrada na consciência do homem parido e criado nas megalópolis de cimento e aço tende a substituir o ser real do artista.

Quando ele ainda era gente, o meu irmão, Miguel Amaral, hoje médico e cronner da Banda Los Dinos, o imitava, cantando o sucesso Ben, com agudos e falsetes que a difícil interpretação requeria. O menino pobre e negro transfigurou-se num personagem branco e rico. O exímio dançarino fez-se mito para si mesmo, antes que a mídia o fizesse para os Estados Unidos e para o mundo. É tal a magnitude do fenômeno que as lágrimas vertidas de todas as latitudes da terra são em pêsames ao mito que consumiu e abduziu o Michael Jackson de carne e osso, transportando-o literalmente para a Terra do Nunca, sua Neverland.

Daí Porque, em prosa, diríamos: o mito é rito, fato, sonho, fantasia a mascarar o ego no desbunde do carnaval existencialista; na overdose sensitiva da subjetividade dança o mito, na ciranda da semiose tem seu berço semântico; na fragilidade do homem frente ao vendaval de significações, saboreia seu fast-food predileto, sua praia é a inquietude da consciência. O mito é sombra sorrateira forjada na alma para dar sentido ao suspiro cotidiano de cada ser vivente. O mito é parente próximo, distante, é primo, pai, mãe, avô, dança do arquétipo ancestral, emergente da caverna paleolítica para a contemporaneidade, da necrorealidade dos tempos de matrix. O mito, anador das angústias humanas; mito, coador da borra do meu café mental. Nossos sonhos estão nele, nossa libido está nele, nele estão nossas esperanças, nosso vazio nele encontra tapume e argamassa.

O mito é misto quente, devaneio tuti-frutti do eu boquiaberto frente ao mundo que o indaga e surpreende; com ele nos embriagamos no bar da esquina do tempo; a projeção da consciência para o mar aberto das versões concebe o mito; metade do mito sou eu, metade é ele, outra banda do mito somos nós, o meu e o teu não-eu soltos no ar como bolha de sabão encantando olhos incautos. O mito é pleura, é soda, é moda, foto três por quatro numa sala de espelhos a refletir as mil facetas da alegria, da angústia e carência humanas, planando em asas de fênix massificada.

Por isso, por ser um rito, um mito, fito e capto, e tenho dito: Michael Jackson não morreu.

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7 Comments on “Michael Jackson Não Morreu”


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  2. Anizio Gorayeb Says:

    Amigo Basinho,
    vc realmente sabe o que diz. Assim como Elvis,Michel Jackson não morreu. As circunstacia que levam um ídolo à morte pouco importam. O importante é a sua obra, e um grande ídolo deve ser lembrado por elas. Quero destacar aquela que considero a mais importante em sua carreira, quando Michel reuniu dezenas de astros num musical em prol do povo sofrido pela miseria na Africa. Com aquele musical foram arrecadados mais de 200 milhões de dolares. Mais uma vez amigo concordo com vc e o parabenizo.
    abraços

  3. karen silva Says:

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  4. cristiane Says:

    eu gostaria de te conhecido ele quando eu sobe que ele tinha falecido entrei em depreçâo nâo comciguia nem levanta da cama parecia que eu tinha morrido e para começar ele foi velado no dia do meu aniversario dia 07/07/2009 eu fiz 30 anos para mim ele è eterno eu quero saber mais sobre ele


  5. michaeleu sempre te amarei nunca deixarei de acreditar que voce ira voltar eternas saudades de sua fa marcia virginia i love michael jackson

  6. angelina Says:

    Eu amo muito o michael jackson; quando ele morreu eu fiqueii muiito triste + como as pessoas diz:quem amo nunca esquece pois eu nunca vou te esquecer michael porque eu te amo! beijos te amo!


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