Siça, ponha o bloco na rua!!

Publicado 01/03/2014 por basinho
Categorias: Crônica

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por Antônio Serpa do Amaral Filho.

Na queda de braço entre o poder público e os brincantes, judicializaram o carnaval Guaporé. Aquele que já foi o Maior Carnaval da Região Norte hoje é um humilde e acuado objeto de análise em autos processuais. Era só o que faltava. Só mesmo uma administração medíocre poderia deixar que, em Porto Velho, a realização da maior festa do povo brasileiro fosse levada à interpretação jurídica pela magistratura. O judiciário rondoniense é sem dúvida um dos mais honrados e produtivos do Brasil, mas não é difícil conjecturar que os magistrados, em regra, sabem tanto de carnaval quanto a Sabrina Sato conhece de sociologia. E se essa magistratura for tecnicista, positivista e kelseniana, aí então a situação tornar-se ainda mais dramática e provavelmente danosa para os brincantes. Não é o Estado que justifica a nação. É a nação que concebe o Estado, para que este atue na segurança jurídica e na garantia legal da difusão dos valores culturais da sociedade nacional. Colocar a festa no escaninho especulativo da legalidade ou ilegalidade é o mesmo que fazer paçoca com sarapatel, mungunzá, bossa-nova e o samba do crioulo doido. O ambiente forense não é o melhor espaço para se discutir se o carnaval deve ou não ser realizado. O fórum mais indicado é mesmo a mesa redonda da sociedade civil organizada, com a óbvia e necessária participação dos representantes do Estado.

A Banda do Vai Quem Quer, os blocos, as escolas de samba e o povo em geral, supõe-se, devem resistir, inclusive com a desobediência civil, se for preciso. O que não dá é pra engolir um sapo cururu dessa magnitude sem espernear. A falta de criatividade da gestão Mauro Nacif e a má administração desse surpreendente imbróglio contextual não é um fenômeno pontual. Faz parte do pacto da mediocridade que se instalou na máquina administrativa desde a sentada de Nacif na cadeira de prefeito da capital.

Ante o desafio de encontrar uma solução melhor concebida, o poder público municipal, a exemplo da fraqueza demonstrada diante de outras clássicas e manjadas demandas urbanas, como o asfaltamento de ruas, término da obra dos viadutos, melhoria na educação, saúde, transporte e segurança pública, preferiu optar pela solução mais desinteligente e cômoda, apelando inclusive para expedientes inconstitucionais como o xucro decreto engessador da folia momesca em Porto Velho.

É sabido de todos unanimemente que a gestão Mauro Nacif, há mais de um ano no comando do executivo municipal, tem se mostrado pífia e inoperante. Com mais essa trapalhada, ele outorga a si mesmo e aos seus assessores o diploma de bobos da corte do Rei Momo da pobreza administrativa. Nem no pior bloco de sujo essa turma seria bem aceita. Estão demonstrando, com as honrosas exceções de sempre, que não são bons administradores do interesse público. No máximo são burocratas sem nenhuma vocação ou qualificação para o exercício das funções institucionais de que estão investidos.

Carnaval é carnaval, enchente é enchente. Guardam correlação os dois fenômenos, mas não são necessariamente excludentes entre si, pelas condições objetivas e infra- estruturais disponíveis. Num contexto histórico em que o nível das águas do rio Madeira atinge o pico de quase 19 metros e produz 2 mil famílias de desabrigados dá pra fazer, sim, da alegria o elemento estimulador da solidariedade e motivador do entretenimento, bastando para tanto que a administração pública se coloque na posição de vetor e fomentador, catalisador e coordenador de uma ação político-administrativa socialmente participativa e consequente.

Segundo o que os dados de coleta de donativos estão a demonstrar, o povo de Porto Velho adora ser solidário, ao mesmo tempo em que manifesta um impulso natural para a celebração da folia momesca. É da capital de Rondônia a única agremiação carnavalesca do norte brasileiro a ter direito a dois minutos de fama no Jornal Nacional – a Banda do Vai Quem Quer – durante a cobertura nacional do carnaval tupiniquim. Como sugeriu o jornalista Sérgio Ramos, Mauro Nacif está perdendo a oportunidade de ser o grande General da Banda do maior Carnaval da Solidariedade, jamais colocado na passarela do samba em toda história deste Estado.

Proibiram o carnaval porque é mais fácil reprimir os anseios do povo do que reinventar a folia. Judicializar a problemática sai mais conta que buscar o consenso e a mobilização social, assim como ser insensível e burocrático é mais fácil que mostrar-se inventivo e respeitador para com as tradições do povo desta cidade. Estamos precisando de um estadista, não de um chefe de polícia.

Façam dez perguntas ao prefeito sobre a história e características do nosso carnaval. Nove ele não saberá responder e para uma delas tentará construir resposta mal ajambrada. Não basta sermos ufânicos “destemidos pioneiros”. Precisamos ser destemidos fazedores da ópera popular e libertários, destemidos brincantes e solidários, destemidos filantropos e produtores do júbilo carnavalesco, sem sermos hipócritas, trágicos e indiferentes. O povo é o grande juiz do carnaval. A alegria é nosso confete e serpentina. E a solidariedade, nosso melhor samba-enredo. O resto é descompasso de quem até pra falar é semitonado e averso à quizomba de Zé Pereira. O Triângulo Não Morreu! Nosso carnaval também não!

Siça, em honra à memória de seu pai, o Manelão, dê ao povo o que é do povo e ponha o bloco na rua: aos desabrigados da cheia do Madeira ofereça com sobriedade os quase mil quilos de donativos arrecadados pela Banda do Vai Quem Quer e, aos foliões, regale essa liberdade que nos abraça forte, posto que nas plagas do norte todos vão à rua cantando amor!!!

Confúcio Contratará Carpideiras para Chorar Morte do Flor do Maracujá

Publicado 03/09/2013 por basinho
Categorias: Crônica, Cultura, Denúncia

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Por Antônio Serpa do Amaral Filho

O governo Confúcio Moura, confundindo alhos com bugalhos, mais uma vez atolou o pé na jaca cultural: serviu ao público um Arraial Flor do Maracujá morno, requentado, mal organizado, sem motivação e sem competição. Um fiasco. O cortejo fúnebre do Manelão, General da Banda do Vai Quem Quer, mostrou-se mil vezes mais animado e significativo. O Arraial foi uma grande farsa circense, tendo como timoneira a despreparada e imatura secretária Eluane Martins. Ainda nesta semana a Assembleia Legislativa deve apreciar a extinção da SECEL. Sintomático, cremos.

Fadado ao desaparecimento, após trinta anos de edição, a nossa maior vitrine folclórica parece nada representar para os confusos gestores da atual administração governamental. Sem planejamento, sem equipe, sem mídia adequada, sem PN, os náufragos de sempre, vindos de outras marés, aportam em nossos barrancos e se fincam como grandes salvadores da pátria rondoniana, afundando literalmente o que ainda resta de original e autêntico do nosso imaginário popular. O funeral maracujesco só não foi mais tétrico por conta dos inabaláveis brincantes de quadrilhas juninas e bois-bumbás, que não permitiram tal desmantelo. Mesmo assim, vi e ouvi um Roque, tradicional locutor da festa, triste, melancólico, taciturno…sorumbático…quase catatônico. Igual tristeza foi vista no semblante dos “barraqueiros”, que investiram na produção de comidas típicas e jogaram no lixo o dinheiro investido. Sem planejamento e fora do ciclo da folha de pagamento do funcionalismo, o prejuízo foi certo.

É de imaginar o constrangimento, e por que não dizer uma quase síncope cardíaca, que machuca e dói no âmago da alma, sofrido pelo Karipuna mucururu também conhecido como Amo do Tracoá (Paulinho Rodrigues) ao entoar suas composições inspiradas no Boi-Bumbá Corre Campo, na quinta feira (29/08) no Curral do Maracujá. Posso apostar todas as minhas fichas que o abnegado produtor cultural passou à base de maracujina, tamanha a falta de perspicácia da atual gestão do Estado de Rondônia. O famoso Amo, em determinado momento daquela pífia encenação cultural, entoou: Ah! Eu mandei desafiar cantador/ para vir cantar comigo / quero mostrar meu valor / estou pronto e preparado / pro brinquedo de São João… o Areal é berço forte de tradição popular… a SECEL faz o arraial / deixa muito a desejar / do repasse do dinheiro Zé Katraca vai falar… E fez-se um silêncio profundo naquela arena do faz de conta. O silêncio dos inocentes (?). Parabéns ao Amo do Tracoá, e toda a Nação Corre Campo, pela lição.

O cinismo administrativo é tanto que ninguém se importa com a data da manifestação cultural, como se o elemento cronológico específico não integrasse a essência significativa do bem cultural. Pelo andar da carroça, logo teremos no ciclo natalino, bois-bumbás dezembrinos, quadrilha de papai-noel, amigo oculto da Flor do Maracujá, o auto de natal do Diamante Negro e quem sabe um carnaval jingobel fora de época. A estrutura digna de megaeventos serviu e serve apenas para justificar vultuosas quantias liberadas via “emendas”, que duvidosamente alicerçam interesses outros.

Pasmem! Os barracões-produtores, onde são confeccionados figurinos, alegorias, instrumentos percussivos, adereços, estruturas metálicas, atendimento e inclusão social, envolvem profissionais de todos os segmentos e na somatória, em Porto Velho, chegam a mais de 50 mil reais. A “estrutura” do arraial consumiu milhões. Os grupos folclóricos receberam, ou melhor, receberão, se não ocorrer mais um calote do governo, míseros R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A FEDERON, inadimplente em 2012 por conta do inadimplente Governo Confúcio e proibida de receber repasses financeiros para aquisição de matéria prima, apesar dos açoites “confucianos & eluânicos”, usou a força do caboclo sete flecha, não permitindo a desgraça total. A equação do imbróglio ficou assim: o Estado deve dinheiro à Federon, a Federon deve prestação de contas ao Estado, o Estado não paga à Federon porque esta não prestou conta ao Estado, a Federon não presta conta porque diz que só recebeu a metade, e o Tribunal de Contas, para apimentar o angu, emitiu uma medida cautelar inibitória, que proíbe ao Estado de repassar o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), ainda pendentes de quitação com o convênio assinado com a FEDERON no exercício de 2012. Ou seja, em Rondônia a questão cultural é uma sinuca de bico.

Trocando em miúdo, papagaio come milho e periquito leva a fama. Ao realizar o Flor do Maracujá, o governo fica bem na foto e os Grupos e Associações Folclóricas vivem à míngua, se submetendo a participar de um Arraial agostino, farsesco e patético. A turma do governador Confúcio Moura, sem políticas públicas para o setor, quer misturar cultura, esporte e lazer no mesmo balaio de gato, numa espécie de samba do crioulo doido, nada fazendo de concreto para incrementar a produção cultural. Mas como valorizar as coisas daqui, se vieram de caixa-prego puxando aquela famosa cachorrinha?

O folguedo fúnebre foi ocultamente chorado, sob as máscaras de Cazumbá, Pai Francisco, Catirina e Mãe Maria. Não fossem esses mascarados, a inumação seria completa, com o total patrocínio do Governo do Estado de Rondônia. Mas tenham fé! Ano que vem, o senhor Confúcio Moura contratará carpideiras para que as exéquias do Arraial Flor do Maracujá sejam choradas e revestidas de toda pompa que seus malfeitores têm alojada no coração.

O folguedo fúnebre foi ocultamente chorado, sob as máscaras de Cazumbá, Pai Francisco, Catirina e Mãe Maria. Não fossem esses mascarados, a inumação seria completa, com o total patrocínio do Governo do Estado de Rondônia. Mas tenham fé! Ano que vem, o senhor Confúcio Moura contratará carpideiras para que as exéquias do Arraial Flor do Maracujá sejam bem choradas e revestidas de toda pompa que seus malfeitores têm alojada no coração.

Vira-lata é o governo Confúcio

Publicado 25/07/2013 por basinho
Categorias: Crônica

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Por Antônio Serpa do Amaral Filho

É isso mesmo: o governo Confúcio Moura está sendo chamado de vira-lata. É o que diz, com muita picardia, uma faixa exposta, nesta quarta-feira, dia 24, pelo chamado Movimento Reforma Cultural defronte ao prédio da Secretaria de Planejamento do Estado, onde ocorreu a terceira jornada de protesto e ocupação de prédio público pelos artistas.

Antes de receber os representantes do movimento, o secretário George Alessandro Gonçalves Braga exigiu a retirada da faixa, por entender ser ofensiva ao seu chefe, o governador. Os artistas retiraram os dizeres e o secretário da Seplan sentou pra conversar e receber a reivindicação da categoria: a criação de uma secretaria própria para o setor, posto que a Secel é hoje um órgão que abrange cultura, esporte e lazer. O movimento reivindica mais: quer transparência orçamentária, elaboração de políticas públicas para a cultura e projetos de parceria entre educação e cultura, reclamando ainda condições dignas de trabalho para os artistas e produtores culturais no Estado de Rondônia.

Vinícius de Moraes já dizia que o melhor amigo do homem é o uísque, o cachorro engarrafado. O melhor amigo do pobre é o vira-lata, o cachorro bem dotado, possuidor de qualidades invejadas pelo Pastor-alemão, Hottweiler e Pooodle de madame; ele é o herói sem caráter dos descamisados, favelados e desesperançados, a verdadeira raça canina tupiniquim – brasilis caninus. Vivendo na rua e tendo de matar um leão por dia, o vira-lata é um herói nacional, símbolo da tenacidade da gente brasileira, metáfora explicita de um povo que teima sobreviver no Haiti tropical. Nos seringais da Amazônia ninguém caça melhor que um vira-lata, que intimida a onça e a sucuri, denuncia o buraco de tatu, encurrala a paca e pega cutia no dente. Sem falar do macaco gogó de sola, a quem, com um simples latido, bota pra correr. Tudo isso sem treinamento e sem apelo à teoria behaviorista radical do estímulo-resposta, apenas por alegria e voluntarismo do pândego animal. Pense num cão apetrechado de predicativos!

Portanto, por esse ângulo, chamar a administração Confúcio Moura de Vira-lata é emprestar dignidade a quem, do ponto de vista cultural, não tem e atribuir qualidades a quem, do ponto de vista político, não merece. Fosse mesmo vira-lata, esse governo não padeceria de tanta falta de criatividade, de determinação e pragmatismo. Fosse mesmo vira a administração Confúcio Moura, ela se identificaria plenamente com os anseios da comunidade artística, respeitaria a cultura dos rondonienses e rondonianos, dotando suas agências de gente mais competente que a secretária Eluane Martins, colocando em prática políticas públicas em favor daqueles que produzem, nas suas várias vertentes, a arte – oxigênio mantenedor da espiritualidade criadora e da identidade de um povo.

Cachorrada mesmo é não prestigiar o nosso emergente carnaval, a Flor do Maracujá, as artes plásticas e visuais, o teatro, a música, a dança, a literatura, o cinema e tantas outras manifestações culturais que vivem à míngua como cachorro pirento, à pachorra de um governo que nem vira-lata é. Vira-lata tem tutano e talento, cara e coragem, garra e criatividade para ir à luta. Se muito for, o governo Confúcio é uma barata tonta, pegajosa e lenta, acéfala, sem brilho e sem cor, descendo de bubuia em piroga maltrapilha no rio da história.

Enquanto os cães domesticados da burocracia ladram empertigados de pudores para com seu chefe, os verdadeiros vira-latas de nobre estirpe, os produtores culturais de Porto Velho, peregrinam de porta em porta clamando por subsídios para a cultura, pedindo transparência e projetos de fomentação para o setor. Os artistas se equivocaram. O governo Confúcio não é vira-lata, é a própria lata – de lixo.

Efeito Kiss salva artistas do complexo de vira-lata

Publicado 02/07/2013 por basinho
Categorias: Crônica, Cultura, Denúncia

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Por Antônio Serpa do Amaral Filho

O Corpo de Bombeiros de Porto Velho acabou prestando relevante serviço à cultura da capital nesse último final de semana: deu parecer negativo sobre as condições de segurança no Clube Ypiranga, local onde iria acontecer, sábado, dia 29, o chamado Caldeirão Cultural, um encontro de artistas organizado pela Fundação Cultural. A idéia macabra padece de gritante incoerência. Realizam Seminário sobre a problemática cultural num dia e no outro colocam artistas de elevado nível de qualidade num péssimo espaço cênico, tido pelo povo em geral como uma pocilga infestada de pulgas e baratas. Enquanto a comunidade vai às ruas gritar por saúde, educação, cultura e segurança, aos olhos de todos e da imprensa, um segmento da comunidade artística aceita ser tratado como vira-lata, agindo de forma alienada e autômata, como se não fossem eles o espelho de onde emanam as melhores sensibilidades que cultivamos no espírito.

Se o projeto tivesse sido realizado, seria um desastre em dois sentidos: primeiro, porque representaria o aceite resignado do complexo de vira-lata que ronda o espírito da comunidade artística local e, segundo, porque, se de fato conseguisse atrair um grande público para aquele ambiente, ofereceria sérios riscos à segurança dos frequentadores. O vira-latismo é tanto que, em nível estadual, Confucio Moura nada de braçada em cima dos produtores de arte, que prometeram fazer uma Revolução Cultural e o máximo que conseguiram foi soltar dois mirrados peidos de velha no gabinete do governador, não fazendo nem cosquinha nos carapanãs que habitam o escritório do chefe do executivo estadual. Com todo respeito à tradicionalidade do Velho Leão Azul, fundado em 1919 e cinco vezes campeão de futebol em Rondônia, aquilo é uma espelunca de quinta categoria, um lugar desqualificado, desestruturado, feio e jogado às traças por falta de amor próprio também dos leoninos e da sua atual diretoria. Aquele lugar, hoje, nem de longe lembra os tempos áureos do glorioso Ypiranga de Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha. Das glórias do passado restou, na Rua Pinheiro Machado, um cafofo mal ajambrado, decadente e com péssima imagem social, sendo o mais pobre e horrendo local do corredor de entretenimento da capital, denominado “Calçada da Fama”.

No Amazonas, quando um projeto governamental quer prestigiar e dar visibilidade a uma determinada produção cultural, os gestores mostram o espetáculo no Teatro Amazonas ou no Estúdio 5, com direito a mídia, infraestrutura de primeira qualidade e glamour. Aqui a Funcultural tira os artistas do Mercado Cultural, local que tem um mínimo de decência, e tenta apresentá-los no desbotado Ypiranga. E o pior: eles aceitam unanimemente. E como toda unanimidade é burra, no dizer de Millor Fernandes, então a burrice avassaladora acaba contaminando a todos, como uma peste da miserabilidade político-cultural. Com o incêndio naquela boate de Santa Maria/RS, ainda bem que o efeito Kiss levou nosso glorioso Corpo de Bombeiros ao local onde iria acontecer o desastre cultural e aí, sem querer, os combatentes do fogo salvaram vários artistas da vivência do complexo de vira-lata.

O prefeito Mauro Nazif, embora culturalmente medíocre, está bem assessorado com a secretária Jória Lima. Ela, sim, é que parece estar carecendo de visão crítico-histórica e de melhores quadros na sua assessoria, na Funcultural. Enquanto o Brasil acorda nas ruas, alguns dos nossos melhores artistas dormem em berço esplêndido canino, como cachorros sem dono!

A praga de Deus intimidando os Faraós embalsamados

Publicado 23/06/2013 por basinho
Categorias: Crônica, Política

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Com lenço, com documento, mas sem rumo e sem sentido.

Com lenço, com documento, mas sem rumo e sem sentido.

Por Antônio Serpa do Amaral Filho
Morreu a Rua da Beira, mas Porto Velho não morreu e hoje mostra sua cara para o Brasil e para o mundo. Morto, ou se fingindo de morto, posta-se Mauro Nacif e seus secretários deitados no berço esplêndido da incompetência. Morta está a última legislatura municipal que, durante a gestão Roberto Sobrinho, não deu um pio seque, como se não tivesse nada a ver com o peixe da realidade social dos portovelhenses nos últimos quatro anos. Putrefato está o governo Confúcio Moura, que vive encalacrado no caixão do mesmismo administrativo, incapaz de atender a uma simples reivindicação da classe professoral.
Com seus 99 anos de municipalidade, a cidade nunca se mostrou tão vigorosa e crítica. Os partidos, partidecos e partidários chinfrins que assistam de camarote à grande marcha do povo reformulando o conceito do que seja Política e Cidadania. Não é uma manifestação de esquerda, não é uma passeata de direita, nem da social-democracia tucana, nem das grandes centrais sindicais, nem da União Nacional dos Estudantes. É o que andam combinando no breu das tocas, que anda nas cabeças, anda nas bocas, que andam acendendo velas nos becos, que estão falando alto pelos botecos e gritam nos mercados que com certeza está na natureza.
Os cientistas políticos estão atarantados com o tamanho e a inusitada forma de mobilização social. Os partícipes marcam encontro pela internet e se aglutinam nas ruas. Confabulam no mundo virtual e se aglomeram e gritam e desafiam a polícia no mundo real. Os políticos à moda antiga quedam-se boquiabertos com tanta falta de logicidade. A ideologia carcomida alojada na sua visão de mundo está indo à lona, assolada por socos bem colocados no ringue do imprevisível. O movimento que vem atanazando o status quo tem cara mas não tem dono. Reclama participação política mas não tem sigla. Golpeia o patrimônio privado e público Estado capitalista mas não ergue bandeira vermelhas. Envolve as massas mas não é o populismo de Jânio Quadro. É febril como uma paixão e se espalha por todos os escaninhos do país como uma praga, mas não tem parte com o capeta, nem com a Igreja Católica, nem com a manipulação das massas à moda Getúlio Vargas. Toma as ruas, becos, avenidas e alamedas, mas nem de longe se parece com a campanha do Caçador de Marajá, contra quem marcharam os Caras-Pintadas, catapultando a campanha que desaguou no impechemet de Fernando Collor de Melo.
O que o Partido dos Trabalhadores levou décadas para soergue – a consciência e ação política -, surge agora como um passe de mágica, sem Lula Lá, sem PT, nem PC do B, sem bandeira socialista ou comunista, sem uma agenda esquerdista ou direitista. Nem o futebol, ópio do povo durante a Ditadura Militar, serve de ungüento para aplacar as feridas que provocam tantas dores, tantos clamores e tantos ardores do no coração e na alma do povo brasileiro. Eles assistem à Copa das Confederações, porém no outro dia estão no batente, no embate com as regras de convivência da sociedade burguesa. O Estado Democrático de Direito assiste perplexo o repúdio e a indignação daqueles que clamam tanto pela ação do Estado quanto pela implementação de Direitos, desmantelando a lógica da normalidade democrática, numa democracia cada dia mais cara-de-pau, cínica e alheia aos reclames básicos do povo que a concebeu para ser não apenas uma abstração juris-política, mas para ser acima de tudo um conjunto de políticas públicas a satisfazer as reais necessidades do cidadão. Nas ruas, não há espaço para falácias nem do Palácio do Planalto, nem do Congresso Nacional, nem dos Poderes da República nem de ninguém. Não é uma revolução Cubana, nem Chinesa nem a Russa, não é. Mas é uma revolução. Se revolucionar é revolver com radicalidade a organização social circundante, então as ruas estão sendo tomadas de assalto pelos guerrilheiros pós-Geração Coca-Cola, pós Carlos Lamarca e Mariguela, pós Che Guevara e Mao Tse Tung. Que os sociólogo socorram a camarilha política estupefata, atônita e nervosa com tantos pedindo tanto em tão pouco tempo, saindo dos becos, viela e brenhas como uma praga de Deus intimidando os Faraós embalsamados, que há anos desdenham da inteligência, paciência e do bom-mocismo do povo brasileiro.
Que coisa é essa, então, que vive nas idéias desses amantes, que cantam os poetas mais delirantes, que juram os profetas embriagados, que está na romaria dos mutilados, que está na fantasia dos infelizes, que está no dia a dia das meretrizes, no plano dos bandidos, dos desvalidos, em todos os sentidos…

PORTO VELHO: CHEGAMOS AO BECO, BASTA!

Publicado 19/06/2013 por basinho
Categorias: Denúncia, Opinião, Política

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Há momentos nos quais não adianta mais fingir de conta que tudo faz parte da vida e que sempre foi assim. Há momentos nos quais chegamos ao limite e não adianta mais negar: o beco nos cerca e não temos mais para onde ir. Porém, são nesses momentos de extremo cerceamento que só nos resta anunciar: Basta! Sísifo não agüenta mais empurrar a pedra. Agora, a liberdade e o respeito exigem um espaço além do beco: queremos dignidade.

Porto Velho viveu sempiternamente, gestão após gestão, sob a égide do desrespeito para com os seus habitantes. Nessa história de imposição de sofrimento, as condições dos serviços públicos prestados não passaram da linha da precariedade. E não adianta eufemismo ou o manejo de verbetes que não fazem mais nem o Soneca dormir: somos estuprados socialmente pelo ente que tem com função precípua nos servir  com qualidade.

Nosso transporte coletivo é um dos piores do Brasil. O preço da tarifa, em relação ao serviço prestado, é um chute na face de quem utiliza esse transporte. Temos uma frota reduzida e ônibus sucateados que não respeitam nem horários. Aliás, desrespeitar é uma arte das empresas de ônibus: qualquer cidadão com necessidades especiais ou da melhor idade sabem na pele as ofensas diárias que recebem ao tentar andar de coletivo.

Quanto ao trânsito desta cidade, sabemos que sempre foi gerido por uma espécie de anti-hefesto: homens incapazes de resolver um respeito de lego com duas peças. Pelo descaso, transitar por Porto Velho se tornou o tour dentro de um labirinto com apenas porta de entrada. Talvez a idéia deles seja, de fato, aumentar os índices de  acidentes.

Narrar mazelas de nossa educação e saúde é como alimentar o Hulk com mais raiva: todo mundo já sabe o começo, o meio e o fim: tudo está esmagado. Salas de aulas insalubres, professores mal remunerados, etc. A saúde é um corredor da morte: pacientes em condições subumanas: infecções letais, demora no atendimento, falta de medicamentos, etc. É a Guernica de Picasso em estado carnal.

A segurança, por sua, vez se tornou caso insegurança pública. E também poderíamos falar dos nossos pífios índice de desenvolvimento humano: ausência de urbanização, de bibliotecas, de áreas verdes, de uma beira-rio, etc. Mas já sabemos demais sobre isso e muito mais: Porto Velho vive na época da pedra lascada e sem os Flintstones.

Enquanto isso, o dinheiro público (nosso por natureza!) é lançado ao desperdício e à corrupção. Em Porto Velho, construíram os viadutos mais caros do mundo e que nunca foram concluídos. A Estrada de Ferro já teve milhões em reformas e sempre permaneceu do mesmo jeito. E isso se espalha por toda a cidade: cada obra custa mais do que vale e, quando se consegue terminá-la, é de baixa qualidade. Sem contar que pessoas que, alhures não tinham nem jegue prá andar, hoje andam de pick-up, vivem em castelos e só bebem vinho francês: tudo a custo da coisa pública, logo, as nossas custas.

Contudo, a maioria silenciosa não agüenta mais. Basta! E longe de ser um movimento local, o rizoma revolucionário explodiu e o beco ruiu tal qual o Muro de Berlim. O brasileiro não suportamos mais tanto desrespeito. Não aceitamos mais a migalhas que somos obrigados a engolir secamente. Não queremos mais viver como se Porto Velho ou  o Brasil fossem a casa-grande do senhor do engenho.

Junho de 2013: não lutamos apenas por liberdade, exigimos dignidade!

Respeitem Porto Velho! Respeitem o Povo Brasileiro!

Samba quase de breque aos quase heróis chinfrins

Publicado 02/06/2013 por basinho
Categorias: Arte, Crônica, Música

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3MariasSabias

By Antônio Serpa do Amaral Filho (Basinho)

Tom: Am

Do Café Santos fui até o Almanara
O Ave Rara vendo a cena foi atrás de mim
O Aderbal comia um charuto e trinta quibes – BIS
Declarando ser o Aquiles lá da turma dos tupiniquins

Vi à direita o Pacato todo prosa
Menta de Rosa faturando um dinheirão
Enquanto o Resk exibia um bang-bang – BIS
Vendo a Nara de sarongue tomando o uísque com salmão

Texto para locução:
E a super loura embasbacava a cidade.
Cabelo esvoaçante
A bordo dum possante Carmanguia vermelho carmim
Torrava a grana que o Resk, puro besta e inconteste
Ganhava do Zé-povinho que hoje habita a Zona Leste
Nara da nossa libido, cafetina a salamê
Gastava a grana que o Cruzeta ganhava na matinê
Nara, a deusa que veio de Marte numa calda de cometa
Garbosa, cheirosa e gostosa, 100% sensual
Tornou-se mais famosa que a Paquinha,
Que andava de bicicletinha, com top de 1,99
Que ganhou de um tal bofe lá do bairro do areal

Botei no coldre dois revolveres que atiram
Com uma queixada vi Sansão matando os filisteus
O Teixeirinha com sua mãe enchurrascada – BIS
A Dalila mal amada corneando aquele hebreu

E quem tirou o cabaço da Raimundinha?
Na manduquinha andava o velho Jacó
Com o Aroldo Dunda eram dois grandes xerifes
Perseguindo os patifes que aprontaram com a Filó

No Rala-Ovo dancei xote com a Paquinha
O Lambretinha só andava em disparada assim
Pois o Morcego só transava com defuntas -BIS
Dessas que vinham presuntas lá de Guajará-Mirim

Paulo Fuá fazia a festa da rapeize
O Manelão botava a Banda pra tocar
A caneleira do Gervásio era de telha
De linho o Durval Gadelha imitava o seu Walmar (Meira)

Tenho saudades do Macaco e do Rosquilde
Naquele tempo o Meio-Kilo era o meu bar
O Waldemar Cachorro andava sorridente
Exibindo o Rei da Selva um macaco e um preá
O Waldemar Cachorro andava sorridente
Exibindo o Rei da Selva uma cutia e um gambá

E como filme de mocinho vale tudo
Trago no peito, com respeito, os meus heróis chinfrins
A vida passa mansamente eu acho graça
Vou tomar uma cachaça no primeiro botequim
A vida passa mansamente eu acho graça
Vou tomar uma com o Norman no primeiro botequim

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Glossário da história oral do Samba

quase de breque aos heróis chinfrins

 Café Santos: ponto comercial localizado na confluência da 7 de Setembro com a Prudente de Morais, point da burguesia do antigo Território Federal de Rondônia, ali rolava altos regabofes e o papo político do dia.

Almanara: restaurante de comida sírio-libanesa no centro da cidade, onde se come o melhor quibe e o melhor charuto da cidade. Ali se fartava Aderbal, que morreu pela boca feito peixe cará.

Ave Rara: apelido do falecido médico Dr. Ademir, neto da Dona Chiquinha do tacacá; segundo o Rato, o maior cachaceiro da pensão da Catarina, em Manaus, onde Ave Rara se formou médico. Quando presidente da Casa do Estudante, em Manaus, aplicou punição severa a si mesmo, por escrito, como transgressor da lei naquela República estudantina.

Aderbal: filho da Tereza do Buraco, pedreiro e ex-lutador de telequete de porte avantajado que virou empresário, era exagerado ao comer e posava de super-homem, com seus 130 quilos e sua moto de 1.500 cilindradas, no pescoço medalhão de quase um quilo de ouro.

Menta: irmã dos Resk, morreu virgem, atropelada por um táxi, no centro da cidade, era o caixa do Cine Brasil e do Cine Resk; dizem que o Manaíba, “maconheiro desavergonhado da época”, teria tirado o cabaço dela e ainda descolado um troco, diz a tradição oral.

Resk: Antônio Resk era um dos donos dos cinemas, boêmio, apaixonado pela Nara, a mais famosa cafetina de Rondônia, a quem presenteou um Carmanguia vermelho, pra ela se amostrar e mexer com a libido dos nativos.

Nara: a mais afamada cafetina de Rondônia, loura charmosa, gostosa e poderosa que gastava a fortuna do Resk com jóias finíssimas, carrões, roupas e comidas caras, o maior furacão sensual que já passou por estas terras. Não era humana, veio de Marte, numa calda de cometa, diz a lenda.

Botei no coldre dois revolveres que atiram: expressão utilizada para conotar os filmes de faroeste que eram exibidos em Porto Velho e embasbacavam a meninada.

Sansão: herói bíblico que luta com os filisteus, derrotando-os com uma queixada de burro velho.

Filisteus: povo que ocupou a costa sudoeste de Canaã (mais informação aqui)

Teixeirinha: músico gaúcho, cuja mãe morreu queimada no fogo, e a estória é contada no filme Coração de Luto, que passava nos cinemas de Porto Velho de antanho. A cidade se inundava de comovidas lágrimas, a Farquar ficava intrafegável.

Dalila: mulher de Sansão, que trai o herói cortando seu cabelo e tirando assim sua força.

Raimundinha: também conhecida como “Cabaço de Aço”, a menina mais cobiçada de Porto Velho porque teria um cabaço inexpugnável, até hoje ninguém sabe que tirou o cabaço da breijeira.  Como diz o Dr. Miguel Amaral, são três os grandes mistérios do Brasil: quem matou Odete Roytman, quem matou Salomão Hayalla e quem tirou o cabaço da Raimundinha.

Manduquinha: apelido do carro da polícia, um fusquinha 68, que transportava nossa brava Polícia Civil. A outra viatura policial chamava-se Bela Antônia. Os karipunas sabiam tirar uma onda dos tiras, sem ir ao mar, bastava o rio Madeira. Em rio que tem candiru piranha não nada de costas nem faz negócio com peixe-cachorro.

Velho Jacó: policial civil, beberrão, compadre de Aroldo Dunda, juntos eram imbatíveis na cachaça e no cuidado com a moral e os bons costumes, alheios.

Aroldo Dunda: negão, baiano, beberrão, andar de urubu malandro, policial civil, parceiro de Jacó e comedor da filha do Baiano, de quem recebeu de presente oito balaços por ter comido a filha mais nova daquele bravo homem da lei, nos ermos da Cascalheira, hoje bairro da Embratel. Não morreu. Tinha o corpo fechado por Ogum, no terreiro do Samburucu.

Filó: ex-namorada do Velho Dió, pai do Zola, segunda mulher na hierarquia do prostíbulo da Madame Elvira (na Afonso Pena quase subesquina com a Marechal Deodoro), também chamada de Madame Tatá ou simplesmenteTartaruga, para os íntimos, com seus 135 quilos de banha desafiando a lei da gravidade.

Paulo Fuá: o veado mais antigo de Rondônia, até hoje atua no ramo. Fuá é onomomatopaico.

Manelão: Manoel Mendonça foi o fundador da Banda do Vai Quem Quer. O Rei do fuxico. Com Rogério Weber, depois fumado uma maconha estragada, teria voado por entre as torres da Catedral, deixando Dom João Batista Costa furioso. O Beleza teria sido a única testemunha ocular da lendária façanha.

Gervásio: motorista da prefeitura e jogador de futebol, usava uma telha como caneleira, diz a lenda;  chamou a atenção do Globo Esporte e por isso, concedeu entrevista à Rede Globo de televisão, tornando-se um herói do nosso esporte bretão.Seu feito está registrado do Guiness Book.

Durval Gadelha: poderoso tabelião que fazia parte da curriola de Walmar Meira (latifundiário), Boanerges Lima (dono de farmácias), Antônio Leite da Fonseca de Castro Filho (dono de frigorífico), Abel Marques (empresário), Paiva (seringalista), Hortêncio (empresário), Estélio (Promotor de Justiça), todos do Bloco da Cobra, que freqüentavam o Bar do Velho Amaral.

Walmar (Meira): latifundiário na região de Ji-Paraná, um metro e oitenta, voz grave, que andava só no linho branco e era também chamado de Caboco Mamão. Teria mandado matar uns cabras nos sertões de seus domínios agrários. Ficou o dito pelo não dito até hoje.

Rala-Ovo: nome popular do imponente Danúbio Azul Bailante Clube, ambiente dos bacanas, que depois entrou em decadência, virou Rala-ovo na língua do povo. O clube das grandes realizações sociais, dizia a Radio Caiari na época do Lucivaldo Souza. Hoje é um modesto shopping, na esquina da rua Tenreiro Aranha com a Carlos Gomes.

Paquinha: menina muito famosa na época por ter as ancas largas e as colhas carnudas e fartas; fazia caridade, prestando serviços amorosos aos mais necessitados do centro e da periferia da urbe.

Lambretinha: pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus que caminhava a mil por hora, sendo apelidado de Lambretinha, em homenagem ao veículo auto-motor de origem italiana, a Lambreta; quando chamado pelo apelido, respondia: “Lambretinha é a mãe, filho da puta!!!”

Morcego: preto velho zambeta que era necrófilo, e nesse estado de espírito pegava as defuntas expostas no necrotério do Hospital São José, hoje Clínica da Polícia Militar. Era porteiro do necrotério. Entregaram a chave do galinheiro à raposa.


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